Projeto do Ifes premiado na Febrace leva laboratório de Química em realidade virtual ao estande da Fapes na ESX 2026
A iniciativa desenvolvida no Campus São Mateus permite que estudantes realizem experimentos em ambientes virtuais imersivos e já foi reconhecida como o melhor trabalho capixaba na maior feira de ciências do país.
O projeto “Explorando Fronteiras Virtuais: um laboratório de Química em Realidade Virtual”, desenvolvido por pesquisadores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) – Campus São Mateus, estará entre as iniciativas apresentadas no estande da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) durante a ESX 2026 – Innovation Experience. A demonstração ocorrerá nesta quinta-feira, 11 de junho, e permite que os visitantes conheçam e experimentem a tecnologia desenvolvida para apoiar o ensino de Ciências.
Coordenado pelo professor Thomaz Rodrigues Botelho, do curso de Engenharia Elétrica do Campus São Mateus, o projeto utiliza óculos de realidade virtual para criar ambientes imersivos que simulam um laboratório de Química. A proposta busca superar desafios comuns da educação básica, como os altos custos de implantação e manutenção de laboratórios físicos, além das dificuldades de abstração enfrentadas pelos estudantes no aprendizado de conteúdos científicos.
A pesquisa foi desenvolvida com a participação de estudantes do Ensino Médio Integrado em Eletrotécnica do Ifes e contou com financiamento da Fapes por meio do edital nº 12/2023 do Programa de Iniciação Científica Júnior do Espírito Santo – Pesquisador do Futuro (PIC Jr. 2024). Segundo o coordenador do projeto, a iniciativa surgiu da necessidade de democratizar o acesso ao ensino experimental de Química.
“Laboratórios de química são caros, ocupam espaço e envolvem riscos com reagentes, o que faz com que muitas escolas simplesmente não tenham um. A solução foi recriar esse laboratório dentro da realidade virtual, com um custo equivalente ao de um laboratório de informática”, explica Botelho.
Na plataforma desenvolvida, os alunos podem realizar experimentos em cenários do cotidiano, como uma cozinha ou uma garagem, em vez de um laboratório convencional. A tecnologia permite visualizar estruturas moleculares em três dimensões e interagir com fenômenos químicos de forma segura e acessível. O ambiente virtual também conta com tutoriais e um avatar orientador, que facilita o uso autônomo pelos estudantes.
O pesquisador destaca que o principal diferencial pedagógico da ferramenta é permitir que os estudantes visualizem elementos que normalmente permanecem invisíveis. “O aluno consegue enxergar a estrutura das moléculas em três dimensões. Isso materializa um nível de abstração da química que não se vê nem a olho nu nem em microscópios convencionais”, afirma.
O projeto é resultado de mais de dois anos de pesquisas conduzidas por estudantes de iniciação científica e já acumula importantes reconhecimentos. Entre as premiações conquistadas estão o primeiro lugar na área de Exatas da Feira de Ciências, Tecnologias e Humanidades do Vale do Cricaré (Fecri), o primeiro lugar na Jornada de Integração do Ifes 2024 e o segundo lugar na Feira de Ciências e Inovação Capixaba (Fecinc) 2024.
O destaque nacional veio durante a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace 2025), considerada a maior feira de ciências do país, realizada na Universidade de São Paulo (USP). Na ocasião, o projeto conquistou o primeiro lugar em sua categoria e recebeu o prêmio de melhor trabalho do Espírito Santo.
A presença na ESX 2026 marca o retorno da iniciativa ao evento. Após participar da edição de 2025, a equipe foi novamente convidada pela Fapes para apresentar a versão mais recente da plataforma. Durante a programação, o público poderá utilizar os óculos de realidade virtual e experimentar o laboratório digital, conhecendo de perto como as tecnologias imersivas podem contribuir para tornar o ensino de Ciências mais acessível, interativo e inovador.
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