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Ifes apresenta soluções por meio de aplicativos de celular e uso de IA no primeiro dia do ESX 2026

Publicado: Sexta, 12 de Junho de 2026, 10h57 | Última atualização em Sexta, 12 de Junho de 2026, 11h00

Projetos desenvolvidos por estudantes, pesquisadores e empreendedores reforçam o papel relevante da instituição dentro do ecossistema de inovação

O Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) marca presença em mais uma edição do maior evento de inovação do estado, o ESX 2026. O primeiro dia de apresentação dos projetos desenvolvidos pelos estudantes, pesquisadores e empreendedores revela ao menos duas coisas: a relevância da instituição dentro do ecossistema de inovação e a capacidade da rede federal aqui no estado de se manter atualizada no que é tendência no mercado.

A prova disso é que o estande do Ifes, na abertura do evento, foi marcado significativamente por soluções criativas por meio de aplicativos de celular e pelo uso de Inteligência Artificial (IA). Soluções estas capazes de atender às demandas em diversos segmentos, do agro ao industrial. Cada projeto nasce de um dos tripés acadêmicos, algumas vezes, de mais de um, aliado à vivência dos estudantes ou dos empreendedores e à realidade onde o campus está inserido.

Para a reitora do Ifes, Adriana Barcellos, a presença da instituição no evento celebra os resultados positivos do trabalho realizado através dos projetos ao longo dos anos. Segundo ela, o Ifes reforça seu papel relevante na formação dos alunos enquanto possibilita que esses estudantes tenham a vivência mercadológica ao participar de feiras como essa.

“As possibilidades, oportunidades e expectativas que o Ifes cria nos estudantes é o que faz a diferença. Faz a diferença no desejo de aprender cada vez mais, no desejo de se qualificar, no desejo de alcançar outros patamares”, elenca a reitora.

O pró-reitor de Extensão, Anderson Bozzetti, acrescenta que a vivência dos estudantes em feiras como o ESX cria uma cultura de inovação ao inseri-los em contato com as possibilidades que se apresentam.

“[A feira] abre portas para você identificar situações e projetos que não conseguia enxergar antes. Os estudantes voltam com novas soluções para os seus projetos que vão transformá-los enquanto alunos e impactar a comunidade de igual forma”, explica.

Plataformas com soluções criativas

Vittória Luciano, estudante do Ensino Médio no Ifes de Santa Teresa, vai voltar para a sala de aula com muitos insights para o projeto Lettry, que apresentou nesta quinta-feira, 11 de junho. A iniciativa adota uma solução tecnológica por meio de um aplicativo para apoiar o processo de alfabetização de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “A gente tem recebido muitas dicas, escutando muitas sugestões que, com certeza, vão agregar muito para o projeto”, garante.

Foi enquanto observava os desafios de um produtor de café na própria família que o estudante de Sistemas de Informação do Ifes de Santa Teresa, Kaik Benicá, pensou em criar um aplicativo capaz de reunir em um só lugar recursos e funcionalidades que atendam a pequenos e médios cafeicultores.

“A ideia nasceu a partir da matéria de extensão que tive no curso. Como tínhamos que desenvolver alguma coisa voltada para a extensão, eu pensei em juntar com a dor do meu pai, que é cafeicultor, produtor rural”, relembra Benicá.

A startup PerffeeCo também trouxe para o ESX uma solução voltada aos produtores de café. A plataforma promete viabilizar a integração entre os produtores de cafés especiais e as cafeterias. “A ideia é aumentar a renda do produtor rural e proporcionar cafés exclusivos aos estabelecimentos”, explica Marcelo Rezende, fundador da startup incubada ao Ifes campus Nova Venécia.

No Ifes campus Serra, a solução dos estudantes nasceu em resposta a um problema social: o endividamento do brasileiro. O serviço de orientação financeira é um projeto de extensão que auxilia no planilhamento dos gastos e das entradas financeiras.

“No final de cada mês, a gente faz um encontro para identificar se a pessoa permaneceu com o comportamento de deficitária ou superavitária. Nosso objetivo é que, após um ano, ela possa ter saído das dívidas e prototipado sonhos”, explica o estudante Gustavo Schwartz.

É deste mesmo campus que Maria Eler, estudante do curso de Sistemas de Informação, trouxe para o evento a cultura maker aliada à cultura da Serra. “A gente pega elementos da cultura da Serra, como a casaca e a Igreja de São José de Queimados, modela em 3D e imprime usando filamento reciclável”, explica. As peças, feitas à base de milho, ficam em exposição no Centro Cultural Eliziário Rangel.

Se o Ifes campus Serra utiliza a cultura maker para promover a cultura através da sustentabilidade, o Ifes campus de Guarapari usa a Comunicação como ferramenta de promoção da cultura e das histórias locais.

O Núcleo de Produção Digital (NPD) disponibiliza equipamentos audiovisuais, acesso à sala multimídia, curso de formação na área e apoio a projetos sociais e culturais, tudo gratuitamente à comunidade, tanto de Guarapari quanto de outros municípios, a fim de democratizar o acesso à produção de conteúdos de qualidade. “São equipamentos caros que, de outra forma, essas pessoas não teriam acesso”, relata o estudante e monitor voluntário do projeto Renzo Moulin. Na exposição, ele compartilhou sua atuação como produtor e designer gráfico dentro do projeto.

Inteligência Artificial

A grande atração do primeiro dia foi a robô Scarlett, desenvolvida por estudantes e professores do Ifes campus Guarapari. A tecnologia integra robótica, visão computacional e inteligência artificial. A robô, que caminhava pelo estande e se movimentava com um gingado descontraído, vai muito além de uma criação engraçada: ela foi pensada como parte de uma solução para problemas recorrentes no campo da Engenharia.

“Através desse projeto, a gente consegue fazer uma conexão com os conteúdos que os alunos aprendem em sala de aula, com o que eles constroem no laboratório e como isso impacta a comunidade”, explica Fábio Bento, professor e um dos coordenadores do projeto.

A área da Saúde também ganhou uma solução através do uso de IA para gerenciar estoques de hospitais por meio da Startup Medboot, incubada no Ifes campus Cachoeiro. O sistema funciona como uma análise preditiva que rastreia o medicamento desde o momento em que ele chega ao hospital até quando é aplicado no paciente. A idealizadora da startup, Dullye Teixeira, garante que a iniciativa reduz custos e adiciona mais uma camada de segurança no armazenamento dos medicamentos.

“O Brasil perde anualmente cerca de 20% dos medicamentos por problemas com gerenciamento nos estoques, algo em torno de R$ 1 milhão por ano, o que representa muito dinheiro saindo neste desperdício dos cofres públicos e privados”.

Além da Saúde, o Ifes campus Cachoeiro tem estudado formas de evitar desperdícios e aumentar o valor agregado no segmento de Rochas Ornamentais. No ESX 2026, o projeto incubado Hartheus trouxe um sistema com suporte de Inteligência Artificial que auxiliará na marcação das rochas. “O grande problema que existe no ramo de rochas ornamentais é a subjetividade na marcação da rocha. E isso muda o preço do produto, porque quanto mais fissuras ou defeitos ela possui, menos vai valer”, explica um dos idealizadores do projeto, Henrique Oliveira.

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